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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

conclusão

cheguei e me senti sozinha, perdida
enquanto ouvia todos os segredos
ditos pela tua boca em silêncio.
revivi cada toque, cada presença
me sentindo quem nunca fui
passageira de mim mesma
sem concordar com a minha indiferença.
não reconheço mais tudo que cri
apenas me limito
a deixar isso pra trás.
cheguei e ouvi tuas confissões
ao pé do ouvido
cada arranhão na tua pele, cada cheiro
impregnado na tua alma.
somos apenas o que gostaríamos de ser
a lembrança de um passado, tão fracos
apenas uma cicatriz em nossas vidas
que ainda não conseguimos esquecer.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ambíguo

éramos assim, um estilhaço
de tudo que fomos, latente passado
a lembrança do teu peito contra o meu
qualquer loucura, nossas risadas
tantos planos e contradições
agora resumidos a nada.
onde será que nós erramos
onde ficaram aquelas imagens
a tua voz, todo teu jeito
ecoando por esses corredores vazios
no fundo da minha memória.
não se sabe de mim, ando contraditória
querendo um pouco de ti
em tudo que eu faço
querendo um pouco de ti
em cada pedaço
cada cédula, que ainda não sabemos ler
por onde, errando
vamos rabiscando a nossa história.

contínuo

me percorre o corpo nessa tua dúvida de mim
vem e simplesmente te aproxima, me beija
encosta tua língua na minha boca, cede por um minuto
te libera desse teu pensamento.
entra por essa porta já tirando a camisa
me alisa e me aprende entre teus braços
me toma no acaso e não me deixa pensar muito.
vem que eu também to ardendo, to te querendo
liberar todo esse tesão, meu conto proibido
a minha fantasia de te lamber, te virar do avesso
nessa nossa folia a dois, coisa de momento.
inicia essa dança logo, suave. coloca a mão por debaixo da mesa
eu também quero esse teu pedaço sujo que é só meu, só meu pecado
nesse modo-contínuo, um texto confuso
misto de tesão, tua vontade
e o meu desejo confessado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

plano

quero levantar e me cercar de todos meus textos
aspirar um novo mundo, daqui pra frente, só meu
erguer essa muralha, desenhar meus passos infalsos
recomeçar a partir do nosso adeus.
levo todos os cheiros, pedaços de ti, tua compaixão
no fundo da retina uma imagem distorcida
do que nunca foi real, do que nunca aconteceu.
ando suspeita de mim, uma palavra que me entrega
uma forma de olhar e ceder a tudo, um paralelo
quero uma base, entender o sentido disso tudo
tenho uma confusão que me habita, uma meta
quero erguer essa muralha
juntando pedaços de tudo que me cerca.

domingo, 15 de agosto de 2010

passagem

tem tua camisa lá no fundo do quarto, tuas manias
você sabe que ficou teu jeito impregnado
e um pouco da tua rotina.
tua maneira de sentar ao violão, os teus dedos
tua voz atrás da porta e o teu medo
o barulho de cada passo no corredor.
ficou naquele travesseiro o cheiro do teu sono
um pacto quebrado no fundo do teu olho
coisas que a gente não sabe nem como
apagar e deixar pra trás.
na minha roupa veio um pouco da tua paz
teu jeito de não saber dizer adeus
talvez um novo sentido ou uma despedida
a algo que eu sempre senti, sempre fui
uma janela aberta pra um novo eu.