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domingo, 15 de agosto de 2010

passagem

tem tua camisa lá no fundo do quarto, tuas manias
você sabe que ficou teu jeito impregnado
e um pouco da tua rotina.
tua maneira de sentar ao violão, os teus dedos
tua voz atrás da porta e o teu medo
o barulho de cada passo no corredor.
ficou naquele travesseiro o cheiro do teu sono
um pacto quebrado no fundo do teu olho
coisas que a gente não sabe nem como
apagar e deixar pra trás.
na minha roupa veio um pouco da tua paz
teu jeito de não saber dizer adeus
talvez um novo sentido ou uma despedida
a algo que eu sempre senti, sempre fui
uma janela aberta pra um novo eu.

sábado, 3 de julho de 2010

inquieta

tem dias que me acordo tão dona da minha história, inquieta
uma vontade de dizer ao mundo a que eu vim
a quantas anda essa loucura, sociedade maluca, opiniões
críticas, imagens distorcidas nesse espelho
coisas que não fazem sentido algum pro coração.
o coração não pensa, sente, grita, voa, age sem saber
e às vezes dá vontade de ficar descalça, dane-se, soltar o cabelo
me despir de tudo, me expor, falar, que mundo é esse, cara?
me acordo inquieta, vou recolhendo minhas idéias pela casa
meus rabiscos, olho pela janela
todos passam, apenas passam
e ninguém se preocupa com a minha história.

paradoxo

quero ser teu passado, de uma forma serena
tua parte mais bonita, mais plena
tua certeza
o que você tem de mais bonito e não sabe.
sou assim, um misto de tudo, de ti
uma voz de todo mundo e um pedaço de mim
levo algumas lembranças
e tudo que eu escolhi.
debaixo da pele eu levo uma vontade
de te marcar, te aninhar no meu peito
te mostrar meu lado mais bonito
meu jeito
e você sabe que nem sempre
posso ser eu mesma.
tem um pouco de ti em cada suspiro
cada palavra que sai da minha boca
tudo que eu olho, tudo que eu sinto
talvez mais um drama na minha cama
um carma
algo que não tem mais fim.
uma esperança, o motivo do meu riso
é isso que você é pra mim.

sábado, 26 de junho de 2010

flash

me disponho a um pacto, eu corto
essa linha imaginária, o fato
só pra sentir de novo, eu quero mais.
quero ir ao fundo do poço, te perturbar
acabar com esse teu marasmo
mania de não se entregar
esse desejo é traiçoeiro e doce
talvez um pecado, mais uma dose
pra você se deixar levar.
posso sentir tua respiração
selvagem, mais intensa
a cada movimento
teu cheiro, um arrepio
uma vontade de beijar, alucinadamente
meu bem
eu já imagino o que você tem em mente.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

dualidade

me deparo com algo que não satisfaz, tua alma
tuas cores, tua dor e tua calma
algo que não condiz com o nosso pacto
sempre vivemos nessa realidade
que não existe.
ao mesmo tempo quero fazer parte de ti
como um todo
te compreender e te decifrar a alma
em partes
quero que tua voz seja a minha voz
mas também não
quero um pouco dos teus casos, teu desapego
teus erros e acasos
e um misto da tua confusão.
ando à beira da tua dúvida, tua inconstância
quero decifrar esse sentimento, o caos
que fica na minha cabeça toda vez
que você vai embora.
observo um pouco mais de ti, teu jeito de criança
tua dualidade, teu pacto
a dúvida que tens, contigo mesmo
tua indignação e teu marasmo.
somos duas almas adversas
presas no mesmo laço:
talvez seja esse o nosso caso.