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sexta-feira, 5 de março de 2010

dança

"...esse é o compasso do inimigo
e você sabe que ele quer te machucar.
certas coisas eu não entendo:
somos jovens, plenos, temos belos corpos
mas nós não cedemos um ao outro
e nem vamos nos entregar."

quinta-feira, 4 de março de 2010

personalidade

no fundo eu gosto quando ele mexe no meu cabelo
e fala que meu sorriso é o mais bonito do mundo.
no fundo eu gosto mas me embaraço
perco o laço, fico sem reação
não sei o que fazer pra agradar, não sei
não sei se eu sorrio, se eu beijo ou corro
eu sei que ele é um mundo paralelo e completamente meu.
não sei se me apaixono, se me entrego, se olho no olho dele
eu só sei que ele tem muito a dizer.
ele é lindo, de qualquer maneira e enxerga aqui dentro
me encanta, me encabula, me deixa sem jeito e ri de mim.
ele chega de repente e arranca o mal pela raiz
diz que eu tô errada, me põe contra a parede
me pressiona, ele só quer me fazer sorrir.
ele é tão imperfeito, de todas as maneiras possíveis
textos, cartas, opiniões irredutíveis
ele vem e sorri, me abraça e me tira pra dançar
isso não é uma declaração, não
e você sabe que não, não
eu só vim aqui pra te contar.

segunda-feira, 1 de março de 2010

acaso

ele tinha um cheiro de pecado
e me estendeu a mão
era quase madrugada
e ele me encontrou avessa
perdida por aí.
fez o favor de me levar pra casa
e me convidar pra conversar, subir
cortar o mal pela raiz.
me serviu um copo de whisky
e tentou me persuadir:
talvez um novo encontro
um crime passional.
não sei se foi solidariedade
ele me deu um beijo
e pôs a mão no meu joelho
eu sei que isso foi real.

sátira

ele veio de repente e levantou a minha saia
ousou saber um pouco mais sobre mim
e quais são as minhas artimanhas
pra chamar a atenção.
me deu um beijo sórdido e delirante
e me fez parar pra pensar por um instante:
somos jovens, céticos e inconsequentes
as palavras dele são cheias de perigo
e excitantes
ele sempre me convence a tirar a blusa
me calar e participar da minha vida
coadjuvante.
ele é o personagem principal dessa história
meu homem, um sátiro descontrolado
e meu amante
sempre que eu olho no fundo do olho dele
eu sinto a todo instante
um arrepio, um elogio, delirante.

par

o destino é incerto e nós sabemos
estamos nos apaixonando perdidamente.
talvez seja uma aventura, coisa pouca
pra completar a bagagem imatura
e bem, é isso que nós somos.
derrubando essa melancolia
de vez
e sem monotonia
talvez você seja o motivo do meu riso
incontido e todas as bobagens que te falo
no ouvido, esse é o nosso caso displicente
e isso é só pra você saber
o que só acontece com a gente.