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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ali

sabendo de cada coisa, eu estava ali
revivendo uma cena antiga
eu estava ali
estática
apenas presenciando.
o que mais desejei, todo esse tempo
em silêncio, no meu coração
estava ali, diante dos meus olhos
ao alcance das minhas mãos.
concordando com cada passo infalso
eu estava ali
partilhando o mesmo ar, a mesma dúvida
sentei ao lado dele, pedi uma bebida
sabendo de tudo, eu fiquei
nessa rua sem saída.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

dentro

olhe pra ele, veja como ele é legal
analise tudo que ele tem a oferecer
todo esse sentimentalismo artificial.
talvez se aproxime, descubra o que ele tem por dentro
a falsa simpatia, uma hipótese de segredo
encoste na ferida, exponha-se diante do espelho
toque-o, uma vez
isso deve causar medo.

você logo vai conhecê-lo
observe seu generoso coração
putrefar
por falta de bom uso
e solidão.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

toque

ele segura a minha mão de um jeito especial
fico atenta a qualquer movimento dele
até o jeito que pega meu cabelo
causa arrepio.
me beija e escapa pelos meus dedos
deixa na boca um gosto de dúvida
nunca sei o que ele pensa, talvez
transcender os limites do imaginável
penso que ele tenha a capacidade de me fazer sentir
o impossível.
me pergunto o que me faz tão suscetível
por qual motivo o simples toque
deixa mais ofegante minha respiração
que domínio ele possa exercer sobre mim
quando me tem ao alcance das mãos.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

pleno

sentimento de saciedade e paz
a explicação para qualquer transtorno
que ele venha a causar
em um simples olhar
e respirar
dele.
sorriso que transforma o dia,
até então desalinhado,
em uma retilínea
sentido: o mesmo abraço.
não tenho dúvidas ou incertezas
a possibilidade da presença
já altera meu batimento cardíaco,
talvez o jeito leve de ser ele mesmo
o ritmo com que me conduz à dança
a pele, o toque, a cor dos cabelos
todos os indícios, é ele, só ele
e só.