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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

relicário

estranha maneira de ele respirar perto de mim
e encher meu mundo de uma paz colorida
aparentemente sem fim.
indecifrável forma de ele me tocar, tão leve
me fazendo nutrir sentimentos que me elevam
qualquer pedacinho teu se transforma em meu
completando certeiramente
tudo que me falta, o que me fica escasso.
gesto tão particular de me prender nos braços
transformando meu mundo num embaraço
um jeito só dele de me abraçar, quando me sinto só.
dividindo um sentimento passageiro, porém, real
misto de desejos lúdicos e paixão carnal.
estranha forma de ele me beijar, tão dele
escorregando pelo lençol.

teorema

loucura é relativo, depende do sentido
razões e contradições
em tudo aquilo que você crê.
não deixar-se levar
nas cabíveis condições
rever algumas atitudes
enfim, rever.
e se a loucura te fala
ao pé do ouvido
quase um grunhido
que te completa o coração.
e se ela vem e vai
anda aliada ao teu amor
tua noção de sim e não
você então pode dizer
que vive em contradição.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

dupla

não se precisa dizer muito, não é palpável
na paz entre cada risada, compartilhando
todos os nossos sentimentos instáveis.
duas almas complexas
num mesmo sentido, desconexo
esse é o caminho que estamos trilhando.
nada substitui a paz, disfarçada
que eu sinto ao teu lado
paz feita de alegria e cumplicidade
paz que nos enfeita de felicidade
paz que levamos conosco
quando nos despedimos.

sábado, 16 de outubro de 2010

minuto

veja isso, um paradoxo perfeito
enfeitando o nosso rosto
com a sombra do desfeito.
toque aquilo, evaporando
como a água dessas folhas secas
como tudo que estou pensando.
sinta-o, ao toque das mãos
singelo momento, sem valor
onde se descobre, diferente.
olhe no espelho, reaja
não deixe isso queimar
não aceite resumir-se a nada.
leia, acredite em uma teoria
demonstre sua ignorância
no momento mais inoportuno
sem se preocupar com o futuro
assista isso queimar.
olhe pra si, um minuto
reescreva a história errada
essa parede tá desmoronando
na frente da tua casa.
saia pela porta, como passageiro
acenda o cigarro, pegue o isqueiro
e apenas assista isso
queimar, queimar, queimar.
partículas que ficam suspensas
no momento em que você vira o rosto
partículas do teu sorriso
no ar.

sábado, 9 de outubro de 2010

quite

quero a paz das manhãs de domingo
você, o motivo do meu riso
misto de todos meus desejos
enquanto aguardo o ensejo
de te ver sorrir mais uma vez.
tão completo e ao mesmo tempo
o motivo do caos aparente
na minha cabeça.
tão ele mesmo, tão complexo
dono de uma falsa inocência
querendo qualquer coisa
que apareça
ele segue o seu destino
que é me encontrar
em cada desatino
nessa falta de coerência.