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terça-feira, 8 de novembro de 2011

beat

quando você se aproxima quase derretendo pela parede
posso sentir tua respiração ofegante, cada batimento
combinando com a batida da música, teu movimento
você vem escorrendo como a água da chuva
incontrolável
pelo apartamento.
tomo mais um gole da bebida, altas horas da madrugada
na tua boca um gosto intragável
na minha cabeça pensamentos instáveis, misto de culpa
e compaixão
continuo insistindo no não, nem pensar, não vou me entregar
à essa batida, à tua confusão.
posso sentir teu calor quando te esfrega na minha perna
como um animal no cio, pedindo carinho
te prenso contra a parede, te causo arrepio
seguro tua nuca com a mão
repito mais uma vez no teu ouvido que não, e é não
você continua suando frio.

um segundo

teus fios de cabelo entre meus dedos
mais uma noite de insônia
tua pele, teu cheiro
e o meu péssimo diagnóstico
a situação é crítica.
tenho uma queda pelo que não se deve ter
vivo em contradição
eu não entendo
um não.
tua boca na minha, fragmento
daquilo que se foi com o tempo
devaneio, um sonho
apenas isso o nosso momento.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ali

sabendo de cada coisa, eu estava ali
revivendo uma cena antiga
eu estava ali
estática
apenas presenciando.
o que mais desejei, todo esse tempo
em silêncio, no meu coração
estava ali, diante dos meus olhos
ao alcance das minhas mãos.
concordando com cada passo infalso
eu estava ali
partilhando o mesmo ar, a mesma dúvida
sentei ao lado dele, pedi uma bebida
sabendo de tudo, eu fiquei
nessa rua sem saída.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

dentro

olhe pra ele, veja como ele é legal
analise tudo que ele tem a oferecer
todo esse sentimentalismo artificial.
talvez se aproxime, descubra o que ele tem por dentro
a falsa simpatia, uma hipótese de segredo
encoste na ferida, exponha-se diante do espelho
toque-o, uma vez
isso deve causar medo.

você logo vai conhecê-lo
observe seu generoso coração
putrefar
por falta de bom uso
e solidão.